(Poesia I) Pensando em Carta

Pensando em carta

Meus olhos fumam o teto.
Este quarto é uma savana
Suo
E o sol
É seu nome.
Meu corpo-antílope deita
Enquanto você senta
Em meu coração-elefante.
São duas semanas…
Duas semanas, já?!
Não importa.
Mil ainda passarão
E haverá verso para cada
Mil
Dias

Dia, mas a miopia
Só permite ver a noite.
Noite, mas a miopia
Só permite ver o dia
Enquanto não decido as horas
Vivo sempre as madrugadas.

Uma gôndola percorre o meu caminho
Ou melhor
Eu percorro
Corro (na verdade nado)
Atrás da gôndola.
Mas quem a rema tem braços fortes…

Fico nessa se volto de pé ou
Avião
Talvez jogue cartas
Apostando letras e trocadilhos
A questão é: posso ir?

Kamikaze, minha mão toca teu corpo
E tu cortas
Desmembrado, meus ombros
Simulam um braço que imagina
Tocar teu corpo
E tu cortas
Não há imaginação que te carregue.
Ponto.

Toco as cordas do violão
Sem pressa
Os acordes são todos letras do teu nome
Agora mesmo vai soando um “E”
Mas não canto.
Não quero te tirar do teu canto
(uma mosca repousa num ângulo, e eu olho)
Já que esses
Ver –
Sós –
São apontamentos
de uma tarde ponto e vírgula.

~ por Kaefe em Março 10, 2008.

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