(Poesia V)

Se os olhos dela
São pedra
Eu sou água.

Não minta!
Entre o espaço de pensar em mentir
E mentir
Há a verdade
E eu vejo!

Na avenida na qual desces
Pelos compridões
Eu faço uma marginal
E te cruzo e
No momento em que passamos
Um-pel’outro
Se tu olhas
Pororoco-me.

Digo que ela perdeu o controle
E o compasso do samba.
Desafinou de vez
E entortou um juramento.
Digo, mas quem escuta,
Se ando a 100.
(minhas pernas são rodas)

Como uma bola
Quico no chão do teu teto
Distraio a atenção do horizonte
Reto
E me mostro pedra-bruta
Na esperança crua
De que com teu sinete
Venhas me lascar o verbo.
Eu berro.
Sou passarinho de janela
Da tua janela
De janeiro todo
Dela.

~ por Kaefe em Abril 28, 2008.

3 Respostas to “(Poesia V)”

  1. é de uma pororoca em versos como essa que precisamos.

    só assim os passarinhos podem voar pelas janelas.

    um abraço.

  2. “Não minta!
    Entre o espaço de pensar em mentir
    E mentir
    Há a verdade
    E eu vejo!”

    ardo-ro isso !!!
    =)

  3. Pororoco-me!

    Adorei.Não, amei.
    Lindo, quis ter escrito, me falou demais, me disse o que queria ouvir, me fez mais do que apenas sentir. Tornou-se!
    Quero mais!

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