Post de Viagem

Como estou indo viajar para Fortaleza a trabalho talvez passe dois meses fora da natalina terra, o blog ficará sem atualização… mas aqui vai um post triplo, dois poemas:

Torquato Neto gostava de frases de caminhão… e frase de caminhão tem um elo semântico com viagem…algumas frases:

Crédito: Chiquito Chaves

Romaria

- Um brasileiro, o Arquipoeta, pouco dinheiro, viajando pela primavez à Euros.
Santiago de
Compost’ella
neina eu neina ela
já entre dois vege
(boca entre pernas, cabelo entre mãos)
a mindsummer night’s dreams
um caso mais além do tradicional feijão com arroz
Druidavam pelos vergéis
cabeças baixas comtemplando
os baixos
horizonte crescendo
às costas
sobre Pirineus.
Num caminho todo feito a pés
topless, senseless, muito mais très bom
a romaria dízima
expia dos altos
a reunião de sátiros e sirenos
aos toques incontinenti

Num perdão cristão
aspergido (aspergir – jogar com os dedos) em chuva
de estrelas (oitocentos: anos depois pingos depois papa Gregório)
e suckados por beiços
em gozo seminal.

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Um par

A mulher que eu sonhei
Tornou-se você
(e todo homem sonha uma mulher)
Sonha tão real!

Não te direi que vivo em um sonho
Já que dor dele se sente
Já que sonhos não se vivem, imaginam-se.

Quero te dar um doce
um doce par de beijos,
Flores enfeixadas em olhos,
Quem sabe um par de filhos.

Em bandeja nossa,
Um azedo
par de amor
Mas sobretudo que todas as coisas fossem
Em pares.

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Plangente Despedida

Três pulinhos dados
por aquele…
… longe….ge….lon…ge
conquanto micróscopio o qualificasse de célula
Blake a chamava de verme invisivel.
Não há interesse
nem sã foi.
Essa moldura a volta
à forma de celas
com valor de lenço nas pernas para aparar migalhas
Volta ou ida?
Vai com-te Deus
(a luz (um) – as estrelas (dois) – outras coisas (três))
Quem fica tem sete dias de criação
e o domingo de recreação
Comjat!

Saudades pra quem fica, pra ela in paritcular e para o poeta.

~ por Kaefe em Julho 16, 2008.

7 Respostas to “Post de Viagem”

  1. o mistério da terra, o sobnatural

    “como é o sexo, você provou?”

    Elza estava na calçada
    retirava o lixo do depósito’lhou-me
    pra ouvir melhor a minha resposta

    “é um ótimo roteiro, tudo claro, certo?”

    prosseguiu naquilo que fazia sem que me mandasse’mbora dali
    eu, porém, repliquei diretamente
    antes de’ntrar no carro

    “só se morre uma vez”

    pensava comigo sobre o que acontecera
    minha lembrança voltara’o instante
    que’le naquela pequena sala
    veio em ‘inha direção
    me pegou pela cintura
    me ‘ncostou de frente à parede
    arrancamos desesperadamente nossas roupas
    ele acabara de cuspir nas mãos
    espalhou a saliva pela glande y prosseguiu em seu desejo
    nunca havia sentido a força de tamanha ereção
    as luzes estavam apagadas
    acesas porém estavam todas’ nossas fantasias
    não havia muito tempo pra tudo
    sem as milongas preliminares
    não havia ingenuidade
    eu era uma mulher desejada
    gemi baixinho pra só ele ouvir
    ele prosseguiu por várias vezes aquele movimento frenético
    consegui me virar de frente
    assumi meu papel de protagonista
    recolho-me’m seu hálito
    engulo por inteiro sua boca
    sua língua solta impulsos de prazer
    ele propõe que’u arranque as alianças
    diz

    “se’nrole comigo”

    rapidamente’u o girei

  2. Uvi strella

    Juó Bananère

    Che scuitá strella, nê meia strella!
    Vucê stá maluco e io ti diró intanto,
    Chi p’ra iscuitalas moltas veiz livanto,
    I vô dá una spiada na gianella.

    I passo as notte acunversando c’o ela.
    Inguante che as outra lá d’un canto
    Stó mi spiano. I o sol come un briglianto
    Nasce. Oglio p’ru ceu: — Cadê strella!?

    Direis intó: Ó migno inlustre amigo!
    O chi é chi as strellas ti dizia
    Quando illas viero acunversá cuntigo?

    E io ti diró: – Studi p’ra intendela,
    Pois só chi giá studô Astrolomia,
    É capaiz di intendê istras strella.

    Juó Bananère (Alexandre Marcondes Machado), paulista que se tornou popularíssimo no Brasil pela irreverência de suas paródias a sonetos de Camões e de Olavo Bilac, a poesias de Casimiro de Abreu e de Guerra Junqueiro, como pelas sátiras políticas contra o marechal Hermes da Fonseca e outros figurões da velha República. Parodiou também La Fontaine e Machado de Assis, escrevendo em dialeto macarrônico, numa imitação dos habitantes de origem italiana do Abaixo-Piques, bairro de São Paulo. Deixou um livro, apenas, “La divina Increnca”, cujo êxito foi sensacional, e que é nos dias de hoje uma raridade bibliográfica. Otto Maria Carpeaux, em interessante estudo, considerou Juó Bananere um premodernista, principalmente pelo fato de ter começado a tratar de forma irreverente as produções do romantismo e do parnasianismo, até então levadas muito a sério.

  3. hotel Pandora
    (boa viagem)

    Imaginei o quanto – ali – poderia subvertê-los com’inhas fantasias ERRÁTICAS
    “Não era – nem sou um ‘dvogado de terno”
    Berrou com os pulmões cheios de planos
    Cheios de ar
    Uma fantástica aventura pelo sufocante encontro daquele 1° dia
    Sobre meu amor?
    A caneta no bolso…
    Deitada
    Fiz uma sentença
    Daria tudo certo
    Tanto na lingüística quanto na gramática filmica
    Com um suspiro de alívio
    O último’u penúltimo serão lentos
    Iniciamos a cena
    Em plena semana do ADEUS
    O ‘utro que aos nossos corpos juntara-se
    Balbuciou em’eu ouvido
    “Entre ‘sses lindos dedos sinto como são sensíveis essas unhas compridas”
    Era uma 2ª feira
    Na chamada linha do tempo
    Olhei para o espelho do teto
    Sobre a mesa farta esse abdômen cavado
    Sobre o sangue das carnes
    A essência da 1ª ou a última lembrança
    Estávamos ensopados pela fome

  4. no avesso da telúrica TUMBA

    “o epitáfio
    sem fio
    desequilibrado
    no abismo”

    ……………….
    ……………….
    ……………….
    ……………….

    “à Dor deste desESPERO
    encolhido pelo frio magiar
    coagido pelos gritos
    assassinos de HITLER & STALIN”

  5. Tô esperando então postagens cearenses!
    Falou!

  6. Meu bem..
    Quem fica sente a saudade do poeta que foi!

  7. sou o sobre natural

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